O caminho da vida não é fácil. Nele,
encontraremos desafios que nos acompanharão durante toda a
trajetória. São idas e vindas, curvas surpreendentes e longas retas,
raros lugares à sombra, subidas e descidas que tantas vezes irão
fatigar o coração dos peregrinos. O clima poderá sofrer variações
distintas. O sol abrasador, o vento impetuoso, o frio intenso e a
neblina espessa, quem sabe, irão colaborar ainda mais para o cansaço
d`alma.
Se a trajetória parece desafiadora, é
necessário cuidado redobrado diante das possíveis ciladas deste
rumo. Há armadilhas espalhadas pelo inimigo com o objetivo de minar
nossas forças, tirar o fôlego e possibilitar os tropeços. Assim,
"pensa ele", não chegaremos a lugar algum. As feridas e a paralisia,
próprias do ardil maligno, retiram a vitalidade, a força e a
coragem. E o corpo e alma desejam se entregar.
Há ciladas exteriores, aparentemente
desunidas das explicações razoáveis sobre a vida e dos fatos e das
situações que deveriam transcorrer "normalmente" durante a
caminhada. São as armadilhas da existência, surpreendentes e
grávidas de novidades e futuras escolhas. Sabemos que viver é correr
riscos. E a trajetória humana, naturalmente, está repleta deles.
Outros alçapões. Tantos algozes.
Esconderijos daqueles que na mente do salmista "trincam os dentes".
Sorrisos de morte. São arapucas elaboradas por seres (des)humanos,
muitos dos quais íntimos e confessores, capazes de tornar pública a
nudez interior. Fragilidades expostas. E perdemos o trabalho, a
dignidade, a coragem, o sustento, a vida...
O revestimento de Deus que possibilita
a cada um e a todos a proteção, a força e a firmeza. Quando
protegidos, sabemos e sentimos que Ele coloca ao redor de seus
filhos suas asas cuidadoras e seus escudos fortes. Resguardados,
podemos restaurar as esperanças e seguir paradoxalmente desanimados,
mas não destruídos; "entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas
enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo." (2 Corintios
6.10)
A proteção divina possibilita a
resistência humana. Força e firmeza caminham lado a lado. Em Deus
podemos seguir fortes e firmes. Ao enfrentar as ciladas conseguimos
fundamentar as pisadas e olhar para o alvo. É necessário, em tais
circunstâncias, encarar de frente a realidade, sem subterfúgios e
arrazoados. Mais que explicações, são necessárias atitudes. Como
ressalta a sabedoria romana: "quando não houver vento, reme."
Com discernimento e maturidade somos
chamados por Deus a caminhar permanentemente, enfrentar o percurso e
tomar cuidado com as armadilhas. Afinal, elas estarão sempre lá.
E Deus ao nosso lado!