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Assim como os anos
têm diferentes estações e o fim de uma estação não representa o
final do ano e, muito menos, da vida; assim como os animais têm suas
próprias “estações” (o tempo de acasalar, o tempo de gestar seus
filhotes, o tempo de tê-los, o tempo de alimentá-los e o tempo de
parar de alimentá-los para que eles procurem por si mesmos as fontes
de sobrevivência) e o fim destes ciclos não significa nada mais que
o fato de que um período acabou; assim também o ser humano tem
“estações” em sua vida.
Muitas pessoas sofrem porque
não são capazes de compreender (e aceitar) o caráter cíclico da
existência. Ficam desesperadas porque olham pela janela e na vêem
flores multicoloridas, borboletas bailando no ar e um dia claro sobre
si. O que enxergam são nuvens pesadas de chuvas ou árvores nuas e sem
graça. A vida não acabou, foi só a primavera que passou, mas outras
primaveras virão. E, enquanto este tempo não chega, há muita coisa pra
fazer. A vida não pára porque não é primavera, e nós também não
podemos nos deixar paralisar. A arte de saber viver está diretamente
ligada à força interior que nos habilita a um poderoso processo de
adaptação ao meio e às circunstâncias impostas por este.
Uma outra extraordinária
lição que podemos aprender com as estações do ano é que quando é verão
no hemisfério Sul é inverno no Norte, ou seja, as estações não são as
mesmas para todas as pessoas, cada pessoa tem que enfrentar, à seu
tempo, a sua própria estação. Além disso, as estações não duram o
mesmo tempo em cada parte do globo. Há localidades, como o Recife, que
quase não conhecem o outono, mas nem por isso as árvores deixam de
renovar as suas folhagem todos os anos. Elas aprenderam (e nós estamos
começando a aprender) que renovação é vida, que a mudança é parte
essencial do esforço de continuar existindo, que não precisam chorar
porque seus frutos e folhas caíram no chão. Há muitas espécies de
seres que sobrevivem justamente porque tais quedas aconteceram e ela
mesma, a árvore, precisa destas aparentes perdas para continuar sua
jornada. O mesmo ocorre com muitos animais que mudam a sua pelagem ou
plumagem, tais fenômenos não indicam a morte, falam apenas de mudanças
e esta não é nem boa nem ruim, é somente parte da vida.
Quando eu era criança, os
brinquedos também tinham suas “estações”. Tinha época em que todo
mundo jogava bola-de-gude, em outras a distração da criançada era
empinar papagaio (alguns chamam de pipa), depois vinha a época de
rodar pião e todos tentavam desenvolver a sua arte de fazer acrobacias
com o brinquedo de madeira com ponta de ferro. O engraçado é que
quando não era época de algum brinquedo ele desaparecia e ninguém
sentia falta dele. Os piões, as pipas e as bolas-de-gude sabiam
esperar pacientemente em um caixote ou gaveta até que chegasse a sua
época novamente. E sempre chegava. Claro que eu gostava mais de
determinados brinquedos do que de outros (eu nunca aprendi rodar
pião), mas nem por isso passava o ano inteiro empinando papagaio. Até
as crianças sabem respeitar as estações.
Eu sei o que você está
pensando. É pastor... mas este meu outono está durando tempo demais!
Não é fácil mesmo. Eu gostaria de te abraçar neste momento, mas a
única coisa que posso fazer é orar para que as palavras que eu
escreverei em seguida sejam úteis para lhe trazer algum conforto e lhe
inspirar paciência. Eu creio que Deus vê as nossas vidas com muito
cuidado e bem de perto. Ele não “deu corda” em nossas existências e
foi cuidar de outros assuntos mais importantes. Como para um pai o
assunto mais importante da Terra é o seu filho que sofre, para Deus a
questão mais relevante do momento é você.
Lembro de uma vez em que,
brincando em um arrecife, pisei em um ouriço do mar. Dezenas de
fragmentos ficaram dentro do meu pé. Era preciso tirá-los para que
eles não infeccionassem. Meu pai me levou à uma farmácia onde havia um
enfermeiro extremamente competente (e que para mim parecia ser muito
mau). Painho me segurou enquanto o enfermeiro retirava um a um os
pedaços de ouriço. Eu não queria aquilo, eu detestei, eu chorei muito,
pedi ao meu pai que mandasse o enfermeiro parar de me machucar, mas
ele em silêncio me fazia ver que tudo aquilo era necessário e só
chorava comigo. Eu acho que Deus chora com você e eu queria chorar
também. Calma, vai passar!
... que Deus o abençoe...
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